Ela olhava as costas se distanciando cada vez mais, indo embora, se misturando à multidão. Seus olhos, chorosos, expressavam a indignação de quem não sabia o que fazer. Acreditava sim que aquelas costas ficavam muito mais bonitas emolduradas em seus braços, mas era capaz de entender que a outra precisava da liberdade que ela não conseguia dar.
A outra por sua vez, caminhava chorando, sentindo a dor de deixar para trás quem ama. Tentara por diversas vezes se calar, se forçar a ficar emoldurada ali, onde ela também gostava de estar, mas o impulso de voar lhe era tão forte que precisava experimentar o céu.
Os outros não entendiam, precisavam classificar, escolher uma vítima e uma vilã. Queriam rótulos e chamavam tudo aquilo de falta de amor. Os olhos deles não conseguiam enxergar o que se passava dentro delas. Talvez só elas entendessem uma a outra. Talvez nem as duas fossem capaz de compreender a prova de amor que emanava dali. Mas eram as únicas que sabiam o quanto isso lhes custava.
Não há como ler este texto tão seu, tão meu, e naõ deixar um comentário....Você cada vez voa mais longe, descobre o que parece nao se desvelar, encontra o que nem sequer se escondeu....É lindo poder ver tudo isso tão de perto...Amo vc!
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