Quando pus meus olhos frente a frente ao seu olhar,
senti um medo tão estranho, senti vontade de calar
o meu amor que era só meu e não encontrou o lugar
conhecido, acostumado, que podia repousar
Ficou parado, apavorado, sem coragem de um lamento
enquanto os seus olhos de fome, substituíram os de acalento
e eu gritei mesmo calado, mas ninguém me escutou
nem mesmo eu, ali tão perto, dei ouvidos a essa dor
que insistia em sair, mas ficou dentro, se calou...
E a sua boca de poemas começou a me morder
dizer palavras obscenas para se satisfazer
e eu desesperado mendigava por você
que se perdeu em algum lugar, onde tentou se esconder
e me agarrou com toda a força, também senti me perder
Eu tentei gritar socorro, mas sua língua me impediu
e desfez minhas palavras de um jeito tão viril,
do discurso atrapalhado só um gemido se ouviu
e o seu rosto desfigurado num sorriso se partiu
No gemido de prazer que você usufruiu,
não percebeu que agonizava o amor que a gente construiu
e num suspiro aliviado...
morreu...
em meio ao frio.