domingo, 17 de abril de 2011

Frio

Quando pus meus olhos frente a frente ao seu olhar,
senti um medo tão estranho, senti vontade de calar
o meu amor que era só meu e não encontrou o lugar
conhecido, acostumado, que podia repousar

Ficou parado, apavorado, sem coragem de um lamento
enquanto os seus olhos de fome, substituíram os de acalento
e eu gritei mesmo calado, mas ninguém me escutou
nem mesmo eu, ali tão perto, dei ouvidos a essa dor
que insistia em sair, mas ficou dentro, se calou...

E a sua boca de poemas começou a me morder
dizer palavras obscenas para se satisfazer
e eu desesperado mendigava por você
que se perdeu em algum lugar, onde tentou se esconder
e me agarrou com toda a força, também senti me perder

Eu tentei gritar socorro, mas sua língua me impediu
e desfez minhas palavras de um jeito tão viril,
do discurso atrapalhado só um gemido se ouviu
e o seu rosto desfigurado num sorriso se partiu
No gemido de prazer que você usufruiu,
não percebeu que agonizava o amor que a gente construiu
e num suspiro aliviado...
morreu...
 em meio ao frio.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ajude-me...

Ajude-me...
Estou quebrado em mil pedaços e não consigo sair
A moldura pequena que escolhi é resistente,
pois resiste na contra mão do meu querer
Ajude-me...
Preciso quebrar de verdade
Do que me adiantam peças desfeitas presas num mesmo lugar?

Sinto-me forçado a ser o mesmo,
mesmo sabendo que não sou
Meus pedaços que querem se espalhar,
vivem a angústia de serem reunidos
De formarem um desenho que não existe mais.
Eu quero me reinventar,
Formar uma nova imagem,
Ser outro eu.
Mas enquanto estiver emoldurado aqui,
serei apenas o mesmo em pedaços...

Ajude-me...